A PANDEMIA E A NOSSA SAÚDE MENTAL

Atualizado: Jun 5

Por Jocely Figueiredo

Logo no início do ano, quando a COVID 19 ainda não era pandemia, assistíamos ao noticiário e ficávamos surpresos com as imagens de Wuhan – China, ruas vazias, viadutos sem carros, um cenário que mais se assemelhava a uma cidade fantasma.

- Surreal!!!

- Parece um filme!!!

Essas eram exclamações comuns entre os nossos amigos e familiares; continuamos a ver o mesmo cenário na Europa e logo em seguida nos Estados Unidos. Sabíamos que esse cenário estava prestes a chegar aqui, mas era difícil de acreditar...

Em meados de março, a OMS – Organização Mundial da Saúde, decretou tratar-se de uma pandemia e com tal precisaria de ações mais urgentes e radicais. São Paulo decretou a suspensão das atividades comerciais e das escolas, permitindo apenas o funcionamento de atividades essenciais. A palavra de ordem passou a ser:

- Fique em casa!!!

Começava o nosso isolamento social... A quarentena, como todos estão chamando.

Com ela adentramos em uma nova era, a da incerteza. O isolamento social havia começado, mas ninguém sabia, ou sabe, informar quando será o seu término, se o seu emprego está seguro e se você pegar o vírus, conseguirá um tratamento adequado no nosso sistema de saúde público ou privado?



Atravessando a quarentena.


De acordo com a Fiocruz, durante uma pandemia é esperado que estejamos frequentemente em estado de alerta, preocupados, confusos e com sensação de falta de controle frente às incertezas do momento.

A psicoterapeuta belga Esther Perel, que é uma referência em tratamentos de traumas coletivos, diz que a tendência é chamar de “estresse”, mas é multidimensional. Dividir esse sentimento em partes e dar nomes a essas partes é crucial para nossa saúde, segurança e sanidade. Não estamos “trabalhando em casa”, estamos tentando nos adaptar a uma visão de mundo totalmente nova enquanto trabalhamos, aprendemos, ensinamos, fazemos parcerias, somos pais e muito mais, tudo simultaneamente, no mesmo espaço físico, em meio a uma crise global. Não estamos cansados; estamos esgotados.

O que nos esgota é a necessidade de lidar, simultaneamente, com emoções antagônicas afloradas intensamente por esse momento de isolamento social, como o medo, a ansiedade e a possibilidade da morte em contra partida com a coragem, a doação, a compaixão e a vontade de viver.

Segundo Perel, não estamos “esperando que as coisas voltem ao normal”, estamos obcecados com o que será “normal” depois disso. E, nesse caso, quando virá o “depois”?

O Futuro que nos espera.


Terminado o período de isolamento estaremos diante de novos e desconhecidos desafios. Precisamos estar cientes de que, passada a crise, nada voltará a ser como antes.

Estudiosos internacionais dizem que mudanças significativas irão ocorrer em todos os aspectos de nossas vidas. Nossos valores serão revistos e atualizados durante a quarentena e isso mudará nossa visão diante do consumo desenfreado, do trabalho, da família e das relações.

Segundo alguns especialistas, haverá uma tendência minimalista, ou seja, consumir apenas o necessário, maior preocupação com a sustentabilidade do planeta e do que realmente é importante para você.

As soluções digitais também ganharão mais espaços, com maior de oferta de serviços online tais como consultas, cursos, softwares de home office, serviços de entretenimento, lives via celular.

Todas essas tendências também sinalizam para um mercado de trabalho diferente, onde novas competências serão exigidas, tais como flexibilidade e elevada capacidade de adaptação, além das habilidades digitais – cada vez mais complexas.




Dicas para manter-se em equilíbrio.


No mundo contemporâneo, a humanidade nunca tinha vivenciado nada parecido. Nossa emergência agora é cuidar de nossa saúde física e emocional, tarefa que tem sido um grande desafio para todas as famílias, independente da sua configuração. Temos visto a dificuldade de casais, de idosos, de crianças e de adolescentes.

Entre os especialistas da área de saúde, algumas dicas são unânimes, como por exemplo:


- Evitar o consumo excessivo de álcool;


- manter ativa a rede socioafetiva, estabelecendo contato, mesmo que virtual, com familiares, amigos e colegas;


- Investir em exercícios e ações que auxiliem na redução do nível de estresse agudo tais como a meditação, a leitura, os exercícios de respiração, entre outros mecanismos que auxiliem a situar o pensamento no momento presente;


- Ajude as crianças a encontrar maneiras de expressar sentimentos, por meio de atividades criativas, como brincar e desenhar;


- Para quem está em home office, mantenha a rotina, respeite os horários de almoço e descanso bem como o de encerramento das atividades.


Entretanto, caso as estratégias recomendadas não sejam suficientes para o processo de estabilização emocional, é importante buscar auxílio de um profissional.

Esse momento, como tantos outros que já existiram, vai passar e quando olharmos para esse período, vamos perceber o quanto aprendemos e nos fortalecemos com tantos desafios em tão curto espaço de tempo.


Psicóloga Jocely Santos Figueiredo

CRP:06/36671


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